24/09/2008


O mais genial dos ensaios

"(...) se antes de cada acto nós só nos puséssemos a prever todas as conseqüências dele a pensar nelas a sério. primeiro as imediatas. depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis~ não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar. Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma forma bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratular-nos ou pedir perdão, aliás, há quem diga que isso é que é a imortalidade de que tanto se fala (...)"

Vi o filme ontem e até agora faltam-me as palavras. Lágrimas em 3 momentos especiais do filme; as mesmas que vieram quando li. As últimas dela, que se deram no final do filme, custaram a parar de jorrar. Saí da sala de cinema ainda tentando enxugar o rosto. "Excelente". É só o que posso dizer. Depois de ouvir tantas críticas negativas de quem leu o livro, tive receio. Ainda bem que mudei de idéia. Até agradeço; acho que por isso tudo foi tão acima das minhas expectativas.
Fiquei tão nostálgica, lembrando-me da época em que li... e tive uma saudade enorme de Saramago. Por isso procurei alguns fragmentos para refrescar a memória. Escolhi este para marcar aqui.
É genial, simplesmente. Ou, "geninho", como já diríamos eu e a ãmi.

Marcadores: ,



marina, 23:02
0 comentários




24/02/2008


O Rompimento da Tênue Linha Entre Sonho e Realidade

Eu raramento escrevo sobre política. Este blog não tem cunho político. Mas hoje, vou fazer uma post diferente de tudo.
Esta post deveria ter sido feita no dia 22/02, mas não deu. Só deu hoje, então vai hoje mesmo.
Isto é uma espécie de desabafo.
Eu sempre nado contra a correnteza defendendo o Governo Lula. Não é questão de colocar a minha mão no fogo e dizer que sou 100% a favor de tudo o que acontece. Não é. Não dá pra ser. Mas eu me informo, muito além do que passa na Globo e do que é relatado na Veja, então vejo (há!) as coisas de uma forma diferente da maioria.
Eu estudo no colégio particular da elitezinha. Lá, quando você faz matrícula, já vem embutido uma assinatura da Veja. As pessoas que freqüentam o colégio normalmente se dividem em duas categorias: 1) não gosto de política, acho chato, não sei e não quero saber ou 2) sempre que falam em política eu só repito tudo o que meu pai diz em casa, então não faça réplica porque eu não terei tréplica. Simplesmente, não tem debate, não tem conversa. É um rebanho que diz "sim, senhor" para tudo. Aí, sempre acabo ouvindo besteiras pra lá e pra cá. Aquele auê que passa no Jornal Nacional e é capa da Veja vira assunto do colégio por mês inteiro.
Mas se tem uma coisa boa, é receber recompensa por colocar fé em alguma coisa. E eu recebi bastante, posso dizer. Mas hoje, lendo o blog da Lúcia Hippolito (post do dia 22/01), abri um sorrisão que valeu muito a pena. O Brasil tem dinheiro e sobra para pagar a dívida externa. E vai pagar. Acabou a situação ridícula de "devemos pagar ou não?". Acabou o "mas é impossível". Acabou o "foi culpa do fulano ou do beltrano". Chega. Tomou-se uma decisão firme, certa, e o resultado é tudo o que eu queria. Eu tinha esperança de viver para ver isso, mas não esperava que fosse assim tão cedo. Hoje eu sou só alegria.
Pode ser precipitação? Pode. Ainda tem muita coisa pra mudar? Tem. Tem muitas vírgulas e poréns na história? Tem. Mas não adianta, ainda sou só alegria. Porque eu não perdi a esperança no meu país, e não quero perder. Eu comemoro cada coisa boa que acontece, sim.
Acho terrível só dizer "o Brasil é uma bosta, quero ir embora". Nasci aqui, cresci aqui e quero fazer o melhor possível para poder ficar aqui. O mundo é grande e eu posso conhecer tudo, mas meu lar é aqui.
E ai, tem um gostinho tão bom quando o Lar fica um pouco mais em ordem.

Marcadores: ,



marina, 17:15
2 comentários




05/01/2008


mudança de blog

foi uma longa filosofia.
o rafael usou de bons argumentos pró-blogger-ísticos e eu já estava de saco cheio de umas coisas do livejournal (tipo banners feios que não combinavam com o meu template, a chatisse que era pra mudar de template e aquela viadagem de icons), então... é, vim pro blogspot. ou blogger.
o layout ficou lindo, não? deu trabalho e tal, porque cada navegador meio que tinha o seu jeito particular de rodar. no fim, deu tudo certo pro mozilla, pro safari e pro opera. lógico que pro internet explorer não. a gente consegui fazer funcionar com um certo jogo de cintura, mas não está nem perto de perfeito. se você, que está lendo isso, tiver os dois navegadores instalados, é legal de ver as diferenças. dá vontade de rir (pra não chorar) do internet explorer e a burrice dele.
as posts com algum valor eu transferi pra cá. mas não vou apagar a conta do livejournal. ela ainda vai ser usada pra ler o lj de quem é "friends only" e tal.

enfim,
bem-vindos ao lechium.

Marcadores:



marina, 23:51
1 comentários




02/10/2007


shining

Tiny rays of sun
crossing drops of water
that are running down
the closed window
of my room.
They are illuminating~
everything.

Marcadores: ,



marina, 22:55
0 comentários




15/06/2007


Resumo de mim

Tava lendo esse livejournal e na minha curiosidade rotineira, fui fazer um tal teste que tinha lá.
Nunca pensei que fazer um teste desses fosse dar tão certo. Estou boba. Sinceramente.

Retrato de um ENFP - Extraverted iNtuitive Feeling Perceiving

Seu modo principal de viver é focado externamente, de onde você absorve os fatos primariamente através de sua intuição. Seu modo secundário é focado internamente, onde você lida com as coisas de acordo com a maneira como você se sente quanto a elas, ou de acordo com a maneira com que elas se encaixam no seu sistema de valores pessoais.
Você é uma pessoa calorosa, entusiasmada, tipicamente muito inteligente e cheia de potencial. Você vive num mundo de possibilidades, e pode ficar muito apaixonado e entusiasmado com as coisas. Seu entusiasmo dá a você a habilidade de inspirar e de motivar os outros, mais do que é constatado em outras pessoas. Você tem a habilidade de conseguir o que você quiser com o seu papo. Você ama a vida, vendo-a como um dom especial, e luta para tirar o máximo proveito dela.
Você tem uma variedade incomum de habilidades e de talentos, e é bom em quase tudo o que te interessa. Orientados a trabalhar com projetos, você pode acabar encarando várias carreiras diferentes durante sua vida. Para quem observa de fora você pode parecer perdido e sem objetivo, mas é na verdade muito consistente, pois possui um senso de valores que você utiliza como uma lei que rege a sua vida. Aliás, tudo o que você faz deve estar alinhado com seus valores. Você precisa sentir que está vivendo sua vida como você mesmo, andando de acordo com o que você acha certo. Você vê significado em tudo, e está numa batalha contínua para adaptar sua vida e seus valores para conseguir atingir uma paz pessoal. Você está sempre ciente e inclusive preocupado em perder contato consigo mesmo. Como a empolgação emocional é normalmente muito importante em sua vida, e como você está sempre focado em estar com sua vida alinhada, você acaba freqüentemente sendo um indivíduo intenso, de valores altamente desenvolvidos.
Você necessita se focar em terminar os projetos que você começa. Este pode ser um grande problema para você. Diferentemente de outras pessoas extrovertidas, você precisa de tempo sozinho para encontrar seu equilíbrio, e para ter certeza que você está em sintonia com seus valores. Se você se mantiver equilibrado, é muito provável que você tenha obtenha sucesso em seus projetos. Então, não caia no hábito de sair rapidamente de um projeto quando você se animar com uma nova possibilidade, pois você pode acabar nunca atingindo os grandes objetivos que você pode atingir.
Você tem uma ótima capacidade de lidar com as pessoas. Você é genuinamente caloroso e interessado por elas, e coloca uma grande importância em suas relações com os outros. Você quase sempre tem uma grande necessidade de que os outros gostem de você. Especialmente numa idade mais jovem, pessoas como você tendem a demonstrar entusiasmo excessivo para com outras pessoas, exagerando no esforço para ser aceito. No entanto, assim que você aprender a equilibrar sua necessidade de ser verdadeiro para consigo mesmo, com sua necessidade de ser aceito pelos outros, você se tornará ótimo em trazer à tona o melhor que cada pessoa tem a oferecer, e será bem aceito por todos. Você tem uma habilidade excepcional de entender intuitivamente as pessoas após pouco tempo, e de usar sua intuição e flexibilidade para se relacionar com os outros no nível deles.
Por viver num mundo de possibilidades empolgantes, os detalhes do dia-a-dia são vistos como desagradáveis trivialidades. Você não coloca importância em tarefas detalhadas e de manutenção, e freqüentemente nem está ciente dessas questões. E quando você realmente tem que realizar essas tarefas, você não tem prazer em fazê-las. Essa realmente é uma área desafiadora para as pessoas como você, e pode se tornar algo frustrante para seus familiares.
Se você acabar indo para o “mau caminho”, pode se tornar um tanto manipulativo –e muito bom nisso. O talento de ser persuasivo com o qual você foi abençoado faz com que você consiga o que quer de maneira natural e fácil. Porém, na maioria das vezes você não irá abusar destas habilidades, pois estas não se encaixam com seu sistema de valores.
Às vezes você também comete erros de julgamento graves. Você tem uma habilidade incrível de perceber intuitivamente a verdade sobre uma pessoa ou situação, mas quando você aplica um julgamento à sua percepção, você pode chegar a conclusões erradas.
Se você não aprender a levar as coisas que você começar até o final, você pode encontrar dificuldades em se manter feliz em casamentos. Sempre vendo as possibilidades do que pode ser, você pode se cansar do que realmente é. O forte senso de valores irá te manter você dedicado às suas relações. No entanto, como você gosta de um bocado de animação na sua vida, se dará melhor com pessoas que se sintam confortáveis com mudanças e com novas experiências.
Ter um pai como você pode ser uma experiência muito divertida, mas pode ser uma experiência estressante para crianças com fortes tendências concretas ou de organização. Estas crianças podem ver seus pais como inconsistentes e difíceis de entender, à medida que são carregadas por esse redemoinho que é a vida do pai. Algumas vezes você desejará ser o melhor amigo de seus filhos, e em outras vezes fará o papel do pai autoritário. Mas você seu sistema de valores é sempre consistente, o que impressionará suas crianças mais que tudo, juntamente com sua simples felicidade de viver.
Você é basicamente uma pessoa feliz, mas pode se tornar infeliz se confinado a horários estritos e a tarefas mundanas. Consequentemente, você trabalha melhor em situações onde você tenha muita flexibilidade e onde você possa trabalhar com pessoas e com idéias. Uma ótima idéia seria a de você abrir seu próprio negócio! Você tem a capacidade de ser altamente produtivo mesmo com pouquíssima supervisão, apenas necessitando que você esteja entusiasmado com o que você está fazendo.
Por ser tão alerta e perceptivo, constantemente analisando o ambiente ao seu redor, é bem provável que você sofra de tensão muscular. Você tem uma grande necessidade de ser independente, e resiste a ser controlado ou rotulado. Você precisa manter o controle sobre si mesmo, mas não acredita em controlar os outros. Sua necessidade de independência e de liberdade se estende tanto a si próprio, quanto aos outros.
Você é uma pessoa charmosa, engenhosa, que se arrisca, sensível, voltada às pessoas, e com capacidades de todos os tipos. Você tem muitas qualidades que irá utilizar para se satisfazer na vida (e também àqueles próximos a você) se conseguir se manter equilibrado, e dominando sua capacidade de levar até o fim o que você começar.

Marcadores: ,



marina, 10:09
0 comentários




07/05/2007


Quiz (?)

Ao desenhar um coração, qual lado você desenha primeiro?
Esquerdo.

Você consegue mergulhar sem tampar o nariz?
Yes, sir.

Qual seu tipo sangüíneo?
B+

Com quem você gostaria de passar 24h amarrado?
Amarrado? Com niguém. Mas se fosse 24h livres...

Qual o pior rumor que já espalharam sobre você?
Já fui de lésbica a filha de ladra que se envolve com o próprio sobrinho... Tudo isso em menos de 1 ano morando em cidade do interior.

Como você se sente a respeito de cenouras?
Nem perto de amor, nem perto de desprezo.

Qual era a melhor Spice Girl?
Gerry! Red haired one, of course. Por que mais eu tingiria o cabelo? (Piadinhas à parte, não levem a sério. Mas que eu sempre gostei dela, é fato.)

O que você faria se ficasse preso em um elevador?
Existem botões de alerta. O barulho me irrita, mas é o que eu provavelmente faria. Tenho uma leve claustrofobia (eu acho).

Qual seu sabor favorito de chiclete?
Eu gosto dos ácidos... Mas se não tem, vou de clássico mesmo: Ou tutti-fruti ou hortelã.

Vale tudo no amor e na guerra?
Se eu dissesse que não sigo esse tipo de critério, estaria mentindo. Sou bem dessas, mas não gosto de admitir.

Você gosta de dormir?
Como já disse o Kinho*: "Há a necessidade". Mas se tiver alguém pra dormir junto, de conchinha, a história muda...

Você quer um Mustang ’06 amarelo?
Kinho*'s answear again: De graça?

Há algo que você sempre quis fazer?
Muitas coisas, provavelmente todas momentâneas.

Você tem pernas cabeludas?
Não. Faço uso de uma tecnologia avançada chamada depilação.

Você prefere nadar no oceano ou em um lago?
Oceano, se pá. Lago é muito difícil. Apesar de eu não saber nadar direito.

Você usa muito preto?
Não tanto.

Você gosta de passar tempo com sua mãe?
Geralmente, amo! Mas tem dias que eu não aguento ninguém - nem ela.

Você é viciado em açúcar?
Acredito que não. E nem quero ser. Tendências diabéticas vêm de todas as partes pra mim (I mean it).

Qual seu signo?
Touro. Bem touro.

Aonde você gostaria de estar agora?
Poderia citar vários lugares, mas o primeiro com certeza seria do estado de São Paulo. (São José dos Campos e depois uma passadinha na capital.)

Você beijou alguém na semana passada?
Essa pergunta é muito ampla. Eu beijo pessoas todos os dias.

Quais são seus planos para o feriadão?
Que feriadão? Os planos não faltam, só falta o feriadão.

Marcadores: ,



marina, 21:54
0 comentários




06/11/2006


Confusão

"Assim como há sins que não são sins mas nãos, há também nãos que não são nãos mas sins; de modo que tudo, não é sim, é, na verdade, talvez ou depende."
Marina Colasanti



Um destes nós que está aí, na cabeça de qualquer um, ou na cabeça de todos nós. Talvez. Depende.

Marcadores: ,



marina, 16:04
0 comentários




23/10/2006


Diálogo

- Oi!
- Oi.
- Quanto tempo!
- É.
- E como anda a vida?
- Nem anda. Se eu deixo ela andar, ela sai correndo e nem volta mais. Aquela danada salafrária precisa é de uma coleira.

Tinha que ser coisa do Rafael, né.
Amor :* See you on our private walk.

Marcadores:



marina, 01:19
0 comentários




18/09/2006


Casamento é complicado, George.

Conforme as minhas estatísticas: 8 em cada 10 de meus amigos já passaram por o que estou passando agora. E, 8 entre esses 8 entre 10, não são bons conselheiros.
Eu não sou do tipo que você chamaria “um cara normal”, e por isso mesmo não posso culpá-los por não me entenderem ou não saberem me aconselhar. Para estas situações, o que “um cara normal” faria seria: Ir à casa da amante, boate de strip-tease ou simplesmente uma mesa de bar. Afogar as mágoas (e o ganso). Voltar para casa embriagado, chorando pela mulher perdida. Respectivamente.

É claro que foram esses os conselhos que deram, pois foi isso o que fizeram. Mas para mim, simplesmente não dá certo. Acho que ainda não descobri nenhum método que desse certo. Estou aqui, sentado, escrevendo, tomando um café. E que tipo de homem – me diga, por favor, caso você saiba – faz isso depois de encontrar a mulher na cama com outro? Além de mim, é claro, não achei nenhuma outra resposta.
Por que eu não quebro alguns objetos? Por que não me revolto? Por que não grito, falo mal e bebo? Por que não vou atrás do tal rapaz e lhe espanco? Por que, pelo menos, nem atrás da minha mulher eu vou?
Porque eu não sou capaz. Ou porque a idéia simplesmente não me agrada. Vai ver eu sou um meio-homem, assim como ela já falava. Mas felizmente ou infelizmente, não mudei de time – ainda, pelo menos.
Todos os meus amigos me avisaram. “Se cuida, George. Casamento é complicado”... “Eu sei, eu sei”. E sabe o que me dizem agora? Exatamente a mesma coisa. “Pois é, George... Casamento é complicado”. Certo, isso eu já notei faz tempo. Só não sei o que se faz quando se avança dessa fase de perceber-que-é-complicado. Claro que nós vamos nos separar. Mas e aí? Minha vida de pós-casado/divorciado certamente não será a mesma que a de solteiro.
É essa a minha história. Investi anos no amor de uma mulher que eu julgava ser diferente. E depois de poucos meses de casado, descobri que era ela na verdade só mais uma. Então eis aqui, minha grande e única conclusão final (lê-se alternativa) sobre tudo: E agora, o que um cara comum faria?


George, 47 anos, ex-romântico “incurável”, cabelos grisalhos e corpo malhado, hoje é um feliz garanhão de moçoilas.

Marcadores: ,



marina, 19:10
0 comentários




23/05/2006


De ponta-cabeça

eu gosto de escrever, gosto de opinar, gosto de me expressar. que soe como loucura, mas é verdade: me dá prazer o ato de me expor com letras, de soar convicta, decidida e moralista.
mas é difícil de lidar com a minha ganância pelas palavras, quando não sei bem sobre o que falar ou relatar. digamos que, me perdi na busca por um assunto.
pedi auxílio então, ao meu mapa de temas.
ele me deu uma boa orientação: dê três passos à esquerda, cinco para frente, sente-se. apalpe a terra e procure algum vestígio de buraco camuflado. achou? perfeito! tire o desfarce que o cobre, e com muito cuidado, destampando o buraco devagar, tire lá do fundo uma daquelas suas lembranças remotas - provavelmente estarão um pouco sujas de terra, mas não se espante.
segure firme, apalpe, cheire, note a forma, sinta, explore. agradou? aí está o seu tema. tente associa-lo com algo atual. opa! deu certo?

quando era pequena (aliás, menor), encostava o sofá perto da janela, e deitava, de cabeça para baixo, pondo as pernas pra fora da janela aberta, e deixando a cabeça quase encostar no chão.
dava gargalhadas da aparência do mundo de cabeça-pra-baixo.
e aí pensava: eu me viro, e vejo o mundo de um jeito diferente.
as pernas balançavam do lado de fora pegando um poquinho da brisa do fim da tarde. nada de aparentemente muito especial, mas era realmente divertido.
hipócritas eram os que ridicularizavam; sei que no fundo tinham curiosidade de fazer aquilo também. situações deliciosas e singelas como essas brincadeiras de criança dão ótimos resultados no futuro. e os emburradinhos de plantão que se recolham com a sua ignorância e descrença, já que é provado que infância feliz dá reflexo, sim!
"ver o mundo de um jeito diferente" foi passatempo por anos. talvez até uma das coisas mais divertidas da época. a altura das janelas da casa eram totalmente propícias à situação.
mas teve o dia da mudança: adeus, casa. adeus, janela. adeus, sofá.

fiquei então, desprovida por algum tempo da visão do mundo de cabeça para baixo.
e cheguei a grande conclusão que ver o mundo de um jeito diferente me fazia feliz; mas quando me tiraram esse privilégio e vi tudo sempre do mesmo jeito, entristeci.
eis aqui, a parte da minha infância que ajudou nas minhas atuais características.
quando recebemos a permissão de ver as coisas de um jeito diferente, de falar a respeito delas de um jeito diferente, de fazer coisas diferentes, acabamos gerando um estilo próprio.
levei algum tempo para perceber que a janela era só um dos lugares que me permitiam ver o mundo de cabeça pra baixo. descobri outros depois de algumas semanas. e depois de mais alguns anos, notei que não precisava mais do auxílio de objetos para virar as coisas. tentava olhar de cabeça para baixo, de fora para dentro, de dentro para fora, de frente, de lado, de costas.
daí aprendi a analisar e julgar as coisas de uma outra forma.

hoje em dia, admito que tenho dificuldade de lidar com pessoas sem opinião, ou aquelas pré-conceitu(adas)(osas).
sabe o que deveria ser feito? essa pessoas deviam deitar-se no chão para observar nuvens. elas iriam ver como cada um vê as coisas diferente do outro. e depois elas deveriam tentar a janela, quando já estivessem mais preparadas.

já está tarde.
o mundo precisa ver as coisas de um jeito diferente. tomar uma injeção de opinião própria, respeito e atitude.

Marcadores: ,



marina, 16:38
0 comentários




08/05/2006


Regressão

às vezes me pego pensando o quanto as memórias são cabulosas.
as coisas quem eu mais quis lembrar, me esqueci; e as que mais quis esquecer, me lembro sempre.
e não falo apenas do lado poético, romântico e clichê da coisa.

quem nunca passou por um famoso "branco" na hora do teste? ou então, esqueceu um endereço ou um telefone importante, justamente quando mais precisava dele? e a pior das situações: esqueceu nome do rapaz que conheceu ontem.
quem não quis se esquecer da avaliação baixa? do fracasso no trabalho? do acidente de carro? da morte do amigo? da dor, num geral.
e no dia em que eu estava analizando estes fatos, comentaram comigo sobre um método chamado "regressão de memória", aonde você procura nas suas memórias mais antigas e esquecidas - por meio de hipinose - a solução ou a explicação para os problemas atuais.
memória é, metaforicamente falando, um lixão.
por cima plantamos as árvores das boas recordações; que geram as flores da amizade e os frutos das paixões ardentes.
mas se olharmos além da raiz, na profundidade que não se mede por metros, e sim por nível de esquecimento, achamos a área fétida das más recordações. liberamos o gás metano e qualquer faísca de infelicidade é capaz de causar uma explosão depressiva dentro de nós.
então, para quê liberar o gás?
é tudo tão mais bonito e florido externamente.
escondemo-nos por tanto tempo de toda essa sujeira, e quando ela começa a ser degenerada, damos à ela vida novamente.
há quem veja vantagens em toda essa sofisticação da memória. pensando no assunto, até lembrei de um filme chamado brilho eterno de uma mente sem lembranças.
mas vai ver, eu já estou fantasiando demais a situação.
o melhor que tenho a fazer é uma "deletação de memória" para esquecer que algum dia escrevi isto.

Marcadores: ,



marina, 15:13
0 comentários




Nota mental

para mim, a maioria das letras nunca foram suficientemente claras. a maioria das palavras nunca foram suficientemente expressivas. a maioria das descrições são mentiras perfeccionistas. e a maioria das opiniões, meros pensamentos vagos muitas vezes desnecessários e mal-formulados.
não aprendi a me satisfazer com qualquer coisa que as pessoas me ofereçam.
mas em compensação, aprendi - sozinha - a ser repulsiva às situações desagradáveis do dia-a-dia.

e para as ridicularidades que escuto diariamente, dou um grande e bom "olá!". sejam bem-vindas ao mundo de quem já se acostumou com a presença de vocês. obrigada pelo aprendizado que me passaram, e agora sigam em paz.
adeus! e vai pela sombra, viu?

Marcadores: ,



marina, 14:22
0 comentários






sumário

o que eu queria dizer, e não disse
remember/forget/remember/forget/remember/forget
Caio F.alando por mim
Dois mil... Inove.
Sorry to myself
Dessssssssprezível
Liberdade
This mess we're in
O mais genial dos ensaios
Eu admito:

arquivo

novembro 2005
maio 2006
junho 2006
julho 2006
agosto 2006
setembro 2006
outubro 2006
novembro 2006
janeiro 2007
março 2007
abril 2007
maio 2007
junho 2007
julho 2007
setembro 2007
outubro 2007
novembro 2007
janeiro 2008
fevereiro 2008
março 2008
maio 2008
junho 2008
julho 2008
agosto 2008
setembro 2008
outubro 2008
dezembro 2008
janeiro 2009
fevereiro 2009
janeiro 2010

>
<

marina b.,
18, pólis do sr. floriano peixe oco, da capitania hereditária de santa catarina, uma mistura de perfeccionismo, teimosia, stress, muita curiosidade, amor transbordante, algumas boas amizades, maternidade perfeita, valores, com uma pitada de angústia e inveja, porque todo mundo tem.
e uma ESFP.

love:
aquelas pessoas especiais, as músicas certas nas horas certas, fotografia, cores, composição, palavras/notas musicais blended in perfection, ponta fina, janelas grandes para sentar e olhar, o mar, uma coisinha pequena e doce ao final de uma refeição, momentos de ócio criativo, filmes embaixo das cobertas ou no cinema, felinos e vaquinhas, sorrisos inesperados, demonstrações de afeto, transbordar mel, reconhecimento.

links:
flickr | lastfm | virb | orangotag | orkut | twitter
squidfingers | dafont


browsers:
funciona bem com: mozilla, safari, opera, chrome... um pouco diferente no internet explorer.