16/02/2009


remember/forget/remember/forget/remember/forget

basic lessons of life:
we get fucked up, we learn, we raise our heads up high and we move on.

but theory has always been easier than practice.

we've been told that optimism can change it all.
we've been pratically forced to accept that "some things simply come for the best".
it ain't easy to believe in it, though, when you're still going through hell.

but I gotta say: all this mess has to be kinda right.
'cause the hope of a good future is now the only thing I can embrace.

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marina, 00:29
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10/01/2009


Dois mil... Inove.

Final de ano: a maior loucura. Além de vestibular e o stress básico, companheiro meu de cada dia, minhas turbulências afetaram tudo ao meu redor: amizades, namoro, família, rotina.
A passagem do ano não foi das mais perfeitas, e nem foi das piores. Mesmo na contagem regressiva aquela núvem negra se recusou a me deixar em paz. Continuou me seguindo, segue-me até agora, chovendo em mim pequenos problemas a toda hora. 
Conformei-me com ela, com todo o resto. Fiz o que pude para aproveitar e o que veio depois, sim, compensou. Pode ter sido a forma mais comum de resolver as coisas, talvez até um pouco temporária, mas foi satisfatória e - o mais importante - sincera. Não é só porque todo mundo faz que necessariamente não funciona também. Não poderia exigir nada mais do que tive para as minhas mudanças - eu sabia que só quem podia me mudar era eu, e não as situações daquele dia.
Dia 1º: Reflexões. Retrospectiva. Reformulação (de mim mesma). 
"Fresh starts, thanks to the calendar, they happen every year: just set your watch to January, our reward for surviving the holiday season is a new year. Bringing on the great tradition of new years resolutions: put your past behind you and start over. It’s hard to resist the chance of a new beginning, a chance to put the problems of last year to bed. Who gets to determine when the old ends and the new begins? It’s not on the calendar, it’s not a birthday, it’s not a new year, it’s an event — big or small, something that changes us, ideally it gives us hope, a new way of living and looking at the world, letting go of old habits, old memories. What's important is that we never stop believing we can have a new beginning, but it's also important to remember amid all the crap are a few things really worth holding on to."
Não precisava de mais nada. Depois de tantas conversas, tantas lágrimas, tantos tapas na cara, eu  sentia, no fundo, muita raiva de mim. Entretanto, sabia o que fazer: vi que essa raiva poderia ser algo melhor e logo ali transformei-a no estopim da minha mudança. Decidi a hora de mudar. E mudei. E agora eu falo e largo e me seguro e me controlo. E se estiver duvidando, não recomendaria que você pedisse para ver - veio de uma raiva, afinal. 
Tudo ótimo, tudo lindo. Só que, convenhamos, não existe vida num mundo cor-de-rosa. Aquela núvem negra continua a me seguir juntamente com sua colega Lady Murphy - apesar de eu insistir que a companhia das duas me desagrada. Quem me deu ouvidos? Novamente: não existe vida num mundo cor-de-rosa.
Incomodações sempre vêm. Não passei no vestibular - e como quem sempre ganha de presente bons motivos pra se mutilar: foi por pouco. A grana que ia sobrar, ficou curta. Não vou viajar. Será que foi porque eu não pulei as 7 ondinhas? Ai, ai, ai.
Eu disse que estava preparada para o pior, que não tinha esperanças, que me conhecia: "vai dar tudo errado". Oi? Cadê?
Bem lá no setor dos fundos da minha mente, fazendo diviza com o primeiro setor do coração, existe uma porta com um sinal em letras garrafais: "NÃO ENTRE, OU IRÁ SE MACHUCAR" e muitos cadeados.  Lá estavam as minhas verdadeiras expectativas. Estavam as flores, as borboletas, os sorrisos e os sonhos. Meu 2009, aparentemente, não vai ser nada de acordo com as minhas expectativas. A destruição deu o ar da sua graça e passou por aqui como um furacão. Minhas borboletas, sorrisos e sonhos viraram pequenos monstrinhos que apontavam pra mim e riam. Só que um último desses monstrinhos, um pouquinho encabulado, saindo por último e de fininho, fechou aquela porta, re-ergueu a placa, fechou os cadeados e me disse: "Quando eu me reconheci no espelho como um monstrinho, sofri. Mas tenho tentado fazer as coisas certas, sabe? Apesar deste kharma que já está em mim. Talvez, moça, você também sofra agora... Mas não negue a chance que lhe foi dada de fazer tudo certo mesmo assim."
E é só isso que eu estou tentando fazer. Por enquanto ainda dói. Mas quando a porta se fechou novamente e as minhas expectativas reais começaram a se reconstruir, uma das novas borboletinhas é aquela que diz que um dia essa dor ainda vai passar.

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marina, 01:15
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09/10/2008


This mess we're in



Mas o mundo continua sempre o mesmo
O medo de voltar pra casa à noite
Os homens que se esfregam nojentos
No caminho de ida e volta da escola
A falta de esperança e o tormento
De saber que nada é justo e pouco é certo
E que estamos destruindo o futuro
E que a maldade anda sempre aqui por perto
A violência e a injustiça que existe
Contra todas as meninas e mulheres
Um mundo onde a verdade é o avesso
E a alegria já não tem mais endereço
Clarisse está trancada no seu quarto
Com seus discos e seus livros, seu cansaço
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo existir e vou voar pelo caminho mais bonito

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marina, 21:16
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26/08/2008


Vasculhando

às vezes a gente acha coisas que soam melhores no presente do que soavam no passado.


I've been waiting for good news
words to continue singing these ones
to the same demographic
be it not perfect
let it be heard by those taking an interest
not for the critics holding their ears
(Gonna get ready)
I've been waiting for answers
dancing in circles, making me sick
I've been chained like a tiger
to hundreds of liars, all holding hands
(Gonna get ready)
Now I'm calling all the time
all I wanted was a little bit of time for me to try, try to get up
I'm gonna get up
all I wanted was a little bit of time for me to clear my head, to clear my head...

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marina, 20:35
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24/05/2008


hoje é dia de monotonia

há uma praça. nessa praça, há um ponto de ônibus e há um banco. árvores, passarinhos, folhas caídas e bitucas de cigarro também - porque nem tudo é sempre lindinho. mas o que importa é que nesse banco, há uma garota. e naquele ponto de ônibus, um garoto há de chegar.
ele chega, ela sorri, ele senta ao lado dela. "oi" e bochechas rosadas. eles jogam um pouco de conversa fora, entre beijinhos e cafunés, só para se livrar do lixo do cotidiano.
quem passa por ali vendo aqueles dois pombinhos não consegue evitar de se comover. e pessoas passam, sim; eles sentem que estão sempre sós. pessoas passam, sim, os vêem; eles não vêem ninguém além de um ao outro.
eles finalmente decidem levantar. reclamam do desconforto do banco da praça, mas no fundo não realmente se importavam - mesmo se fosse uma cama de pregos, contanto que eles estivessem juntos, não seria problema. de mãos dadas eles caminham até a grande avenida. olham para a direita, o caminho de sempre, olham para a esquerda, o caminho da casa dele. "e aí?".


o feriado é ensolarado, todavia, eu passo os dias dentro do meu quartinho acinzentado pelas películas no vidro e as persianas metálicas. hoje é dia de monotonia, minhas estórias são monotonias. são água, açúcar, desenhos que estraguei ao colorir, citações bobinhas e são tão caios. nem eu suporto. monotonia; e monotonia sempre volta, logo, essa história há de voltar. ah, se há.

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marina, 14:08
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02/03/2008


despertei para

somehow i lost touch
perfurei, queimei, deixei sangrar, deixei escorrer. estou deixando.
when you went out of sight
chorei, soltei, deixei entrar, deixei sair. estou deixando.
this is kind of about you
this is kind of about me
we just kinda lost our way
we were looking to be free
coloquei a perder, perdi-me, tive que largar, larguei.
mas ainda estou aqui sentada, esperando voltar.
but one day
we'll float
take life as it comes...

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marina, 02:31
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15/02/2008


i...

Eu posso ser o que vejo, ouço, leio ou creio.
Posso ser o que faço, como faço ou por que faço.
Mas com certeza, maior parte de mim, são as pessoas que conheço.
Especialmente, as que vão embora.

Acho que eu sou
o que ficou
(delas).

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marina, 22:04
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05/10/2007


:~

saudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudade
esaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudad
dadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesau
saudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudade
audadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudadesaudades
saudade.

"and all we want... is more."
(meredith grey - grey's anatomy)

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marina, 17:11
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01/08/2006


your love is a verb

- E o que eu faço com tudo isso que sinto por você?
- Guarda. - Ela respondeu; com a simplicidade de quem sabe que estas coisas, quando simplesmente existem, não precisam de um alojamento, um lugar, um espaço definido.

Ele pareceu confuso.
- Guarda. - Ela lhe disse nova e calmamente, indicando um caminho para o coração. Havia certa esperança de que ele levasse seu conselho ao pé da letra. Guardar e esperar um pouco, esperar pelo tempo, esperar pelo que faltava para tornar tudo o que estava guardado em algo palpável.
Guarda, assim, como quem não quer nada. Assim, como quem vai usar daqui a um minuto, quando sair do banho, quando sair à rua, quando for dormir, quando amanhecer.
Guarda solto em cima da cômoda, à vista dos olhos, no meio de outras bugigangas, finge que ele nem toma tanto espaço. Ou guarda na última gaveta, embrulhado num papel de seda, no fundo, bem longe dos olhos; de forma que mesmo que você não abra a gaveta, saberá que está lá. E quando, ou se, você for abrir, o perfume que virá lá do fundo vai invadir seu quarto, sua casa, sua vida, devolvendo ao coração aquele sentimento de pertencer.
Guarda, ela lhe disse, tentando lhe dizer tudo isso. Pronunciou apenas "guarda" e deduziu que ele compreenderia dali em diante.
Então, ele lhe perguntou:
- Onde?
Dedução errada. Será que ele não entendeu? Era uma única palavra, é verdade... Porém, significava mais do que seis letras, três vogais, três consoantes, g-u-a-r-d-a. Significa entrega, significa crença e fé em um sentimento. É amor, Deus do céu. Amor puro, límpido, incondicional. Amor que deixa partir e que espera voltar.
- Onde...?
Mas ela não queria lhe pedir nada mais. Não queria explicar. Não queria sofrer. Não queria nem lhe dizer que o que ela sentia por ele estava ali, guardado. Intenso e oprimido pelas circunstâncias.
- Tudo bem. Se não tiver espaço, joga fora e esquece.

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marina, 15:47
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06/07/2006


Compro e pago bem

Me cansei de acordar com expectativas.
Me canso mais ainda por 99% delas não chegarem nem perto de uma realização.
Preciso tanto mudar meu cotidiano.
Não quero o de sempre, não, obrigada.
Hoje eu quero algo diferente...

Hoje eu te quero comigo. Vamos à Amsterdam, deitar na grama sob um sol gostoso num clima frio e olhar para o céu ouvindo aquela nossa música. Vamos almoçar em casa. Eu preparo o que você gosta e depois nós podemos ver um filme abraçadinhos, com direito a cafuné. Vamos dormir com a janela aberta, de frente para o céu. Dormir admirando a lua e acordar com o nascer do sol. Vamos viajar amanhã e bater fotos fazendo caretas com uma linda paisagem ao fundo. Vamos de trem, para ninguém se preocupar em dirigir e assim você poderá segurar a minha mão durante o caminho inteiro. Contigo eu vou para qualquer lugar.
Penteie meu cabelo. Dê-me um beijo na testa. Faça-me carinho na nuca. Vamos dormir abraçados.
Faça-me cócegas também. Abrace-me por trás. Queria ter sempre um pouco da tua atenção.
Sente-se de frente pra mim. Pegue-me pelas mãos. Diga que me ama e que precisa de mim, incondicionalmente.
Não suportaria brigar contigo, porque depois de cinco minutos te olharia nos olhos e começaria a sorrir.

Compro e pago bem,
Por um mundinho paralelo só ao teu lado e mais ninguém.


I need you so much closer.
So come on.

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marina, 23:34
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28/06/2006


O não querer e o nunca mais

Cinco anos. Em todos eles, não recebi nada; exceto uma filha no último. Encomenda surpresa.
Cinco anos. Em todos eles, sorriso amarelos, falsas juras de amor e carinho rígido.
Cinco anos. E nem um pingo de respeito.

Os santos não a apoiaram, mas ouviam suas preces agora. Nada era mais pesado que a arma, nada era mais rígido que o gatilho, nada ardia mais do que o ódio, nada pulsava mais que a angústia, nada falava mais alto do que os extinto.

Estava escuro demais, e a mira parecia incerta sob a luz da lua e das estrelas. O frio dói a mão e queima o rosto. Ela engatilha e se assusta. A arma está perfeitamente paralela. O tiro.
O vidro quebra e os cacos se espalham. Ele é atingido e o sangue jorra, sujando tapetes caros e móveis refinados. Ele tem espamos olhando para o próprio abdome estraçalhado.
Ele gritava de dor, mas ela não queria ouvir.
"Pouco me importa se vai matar ou não. O que eu quero é que ele sinta dor. O que eu quero é que ele arda de ódio. O que eu quero é que ele se ponha em meu lugar", pensou.

Ela deu meia volta, e foi embora.
Deixou a propriedade enorme com passos lentos. Seu salto alto marcava a grama macia coberta de gelo. Respirava fundo para acalmar as palpitadas aceleradas do coração. "Que lhe sirva de lição, desgraçado". Passou do portão e já se sentia mais calma. Do lado de fora, havia uma outra mulher, segurando uma criança pequena nos braços. Entregou-lhe a criança e entrou no prédio vizinho.
Ela e a criança, de mãos dadas, foram até uma pequena ponte perto dali. "Eu nunca te amei, idiota", ela pensava. Pisou na arma e depois chutou para o rio. A criança de um ano e quatro meses observava a mãe atentamente, enquanto tentava se equilibrar nos pezinhos pequenos e ainda fracos.
"Daqui em diante, você é só parte do passado".

Algumas horas depois, ela saiu com uma mala não muito grande na mão esquerda e a criança no braço direito. Passou na casa da moça que tinha lhe ajudado antes, e passou a chave de sua casa por debaixo da porta da moça. Pegou um táxi e desceu até a rodoviária.
"Nessa cidade eu não volto nunca mais". Guardou as malas, sentou-se e repousou a cabeça na janela. A criança encarava a mãe com olhos pequenos e as pálpebras pesadas. "Foi um longo dia e será uma longa viagem, é melhor que você durma". Acariciava seu rostinho macio e fitava seus olhos claros se fechando aos poucos.

Motivos são inconstantes. Cinco anos resultam mil e noventa e cinco dias; consequentemente, mil e noventa e cinco motivos - ou mais. E a tolerância é enorme, mas se esgota. Depois de inúmeras tentativas frustradas, ela só quis mostrá-lo como é estar na pele do outro.
"Estúpido". Os poucos momentos românticos eram falas roubadas de livros. Sempre tão agressivo. "Canalha". Usando de outras e outras do mesmo jeito que usava dela. "Egocêntrico". Nunca se importou com ninguém além de si próprio. "Traidor". Deixou-a com a filha e nada mais. Sem roupas, teto, muito menos dinheiro. "Idiota". Pensou que ela voltaria atrás. Pensou que ela sentiria falta. Ah, é um verdadeiro iludido.

Agora, ela iria pra longe. Deixara a casa e os poucos móveis que tinha conseguido. Não aguentaria mais tentar recomeçar sua vida se ainda tivesse na mesma cidade que ele. Mas agora, era uma nova chance. Seria melhor pra ela, seria melhor pra filha, seria melhor pra tudo.
No fundo, ela se preocupava um pouco em saber qual era o estado dele. Mas depois negava. As lembranças boas sempre aparecem nesses momentos perturbados. Melhor mesmo era dormir. E ela dormiu.
Acordou cinco horas depois, com a filha quase caindo do seu colo e o sol, tão brilhante que quase cegava. Ela tenta arrumar a saia e nota alguns cacos de vidro nas pernas. Tira-os, um por um, vendo uma pequena quantidade de sangue saindo. Pega um lenço dentro da bolsa e seca as gotas que escorrem.
Vestiu o casaco, escovou os cabelos, calçou as sandálias de salto alto. O corpo não era mais tão gracioso como fora antes da gravidez, mas ela o aceitava mesmo assim.
Tivera pesadelos com a noite anterior e com ele tentando a perseguir. Mas despreocupou-se logo depois. "Talvez estes sonhos durem semanas, mas eu não me arrependo. Ele não se vingaria de mim, porque lhe falta coragem para atos tão precisos".

Ela não sabia, mas ele a amava. Descobrira isso apenas depois de passar longos quatro meses longe dela. E o que ele gritava enquanto sentia dor eram declarações. Ele não se importou com a dor. Ficou emocionado de vê-la novamente, e clamava pela sua volta. Mas ela não o ouviu. Ela não quis o ouvir.
Mas talvez fosse melhor. Mesmo se ela o perdoasse, não teria mais nenhum futuro para repor o passado triste. Ele tinha deixado-a tudo: móveis, carros, dinheiro e a empresa. Mas o que ela mais queria, agora era só um corpo, sem mais batimentos cardíacos.

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marina, 21:27
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29/05/2006


Antítese

tenho certeza que me perco. tenho certeza que ajo errado, ajo por impulso, ajo ao contrário. tenho certeza que mudo as ordens; e no final me prejudico. tenho certeza que esse tempo todo, usei minha ilusão como abrigo.
quando chego perto de novas certezas, duvido. o verbo pra mim, nunca vira carne. o concreto foge, esconde-se, passa longe de mim. os únicos fatos sólidos, verdadeiros, inquestionáveis, minhas únicas certezas: perco-me, ajo errado, ajo por impulso, ajo ao contrário; mudo as ordens, prejudico-me, uso minha ilusão como abrigo.
desanimo e evaporo. condenso, solidifico. mudo a aparência, mas por dentro é a mesma estrutura corroída pelos próprios pensamentos. exponho-me, deixo à mostra; mostro as letras e os parágrafos da minha vida, o livro aberto. difícil é interpretar.
e é assim que levo a vida na inconstância. nunca satisfeita, sempre inconformada. notáveis são apenas meus erros e pedras no meio do caminho, porque o nascer do sol cega e queima minha memória.

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marina, 17:04
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sumário

o que eu queria dizer, e não disse
remember/forget/remember/forget/remember/forget
Caio F.alando por mim
Dois mil... Inove.
Sorry to myself
Dessssssssprezível
Liberdade
This mess we're in
O mais genial dos ensaios
Eu admito:

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marina b.,
18, pólis do sr. floriano peixe oco, da capitania hereditária de santa catarina, uma mistura de perfeccionismo, teimosia, stress, muita curiosidade, amor transbordante, algumas boas amizades, maternidade perfeita, valores, com uma pitada de angústia e inveja, porque todo mundo tem.
e uma ESFP.

love:
aquelas pessoas especiais, as músicas certas nas horas certas, fotografia, cores, composição, palavras/notas musicais blended in perfection, ponta fina, janelas grandes para sentar e olhar, o mar, uma coisinha pequena e doce ao final de uma refeição, momentos de ócio criativo, filmes embaixo das cobertas ou no cinema, felinos e vaquinhas, sorrisos inesperados, demonstrações de afeto, transbordar mel, reconhecimento.

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