24/05/2008
há uma praça. nessa praça, há um ponto de ônibus e há um banco. árvores, passarinhos, folhas caídas e bitucas de cigarro também - porque nem tudo é sempre lindinho. mas o que importa é que nesse banco, há uma garota. e naquele ponto de ônibus, um garoto há de chegar.
ele chega, ela sorri, ele senta ao lado dela. "oi" e bochechas rosadas. eles jogam um pouco de conversa fora, entre beijinhos e cafunés, só para se livrar do lixo do cotidiano.
quem passa por ali vendo aqueles dois pombinhos não consegue evitar de se comover. e pessoas passam, sim; eles sentem que estão sempre sós. pessoas passam, sim, os vêem; eles não vêem ninguém além de um ao outro.
eles finalmente decidem levantar. reclamam do desconforto do banco da praça, mas no fundo não realmente se importavam - mesmo se fosse uma cama de pregos, contanto que eles estivessem juntos, não seria problema. de mãos dadas eles caminham até a grande avenida. olham para a direita, o caminho de sempre, olham para a esquerda, o caminho da casa dele. "e aí?".
o feriado é ensolarado, todavia, eu passo os dias dentro do meu quartinho acinzentado pelas películas no vidro e as persianas metálicas. hoje é dia de monotonia, minhas estórias são monotonias. são água, açúcar, desenhos que estraguei ao colorir, citações bobinhas e são tão caios. nem eu suporto. monotonia; e monotonia sempre volta, logo, essa história há de voltar. ah, se há.
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07/11/2007
Eu me descubro ainda mais feliz a cada pedaço seu, a cada palavra sua, a cada tudo seu. Eu me descubro ainda mais triste a cada milímetro que me separa de você, a cada dia em que eu não o vejo e a cada oportunidade que eu perco de abraçá-lo.
Eu amo tanto o toque suave das suas mãos, o jeito bonitinho com que você se fecha quando eu o acordo e seu sorriso bobinho quando olha pra mim. Às vezes você é tão bobo e faz com que eu me sinta tão boba que eu tenho pena de como o mundo era bobo antes da gente se conhecer.
Me dá vontade de propor um acordo: se eu nunca mais olhar para homem nenhum no mundo, posso ficar só com você para sempre?
Eu descobri que tentar não ser ingênua é a minha maior ingenuidade. Eu descobri que ser eu mesma não dá medo, porque só em ser eu mesma já é ser muito corajosa. Eu descobri que vale a pena pensar em você por quatro horas, mesmo que o dia esteja explodindo lá fora e eu tenha uma longa lista de coisas para fazer (que agora estão bem atrasadas).
E quando eu já não sei mais o que sentir por você, eu lembro o cheirinho que eu sinto ao respirar perto da sua nuca e começo a querer coisas que eu nem sabia que existiam. E algumas que sei que existem também. Começo a querer filmes românticos, contos-de-fadas, clichê, sexo e de tudo um pouco.
Quando a gente vê um filme juntos e você me abraça, quando você toca violão e canta, quando estou cozinhando e você senta para me olhar, quando falamos alguma besteira e rimos juntos, eu sinto um daqueles segundos de eternidade que tanto assustam meu coração já acostumado com a fugacidade "segura" dos sentimentos superficiais. Você está renovando os meus sentidos. E se isso não for motivo para nascer, eu já não sei mais nada sobre este mundo.
E olho para você, com aquela camisa pólo que você acha desconfortável, e me vejo tão ao lado de um homenzinho, que me dá vontade de ser a melhor mulher do mundo. Eu tive vontade de ler, fazer ginástica, ouvir todas as músicas legais do mundo, cozinhar sua comida favorita, passar as suas roupas, arrumar o seu quarto, escrever um livro, ser mãe.E hoje, quando vejo o Sol se pondo, é como se eu visse que meu passado se pôs junto com ele. Eu sinto a alma clarear enquanto o dia escurece. E a cada novo dia que nasce, eu penso de novo e de novo sobre estar com você.
Eu o engoli; e você é tão grande para mim que dedico cada segundo do meu dia em digeri-lo. E não tenho mais fome. Mas eu tenho que ter fome, porque você não é namorado de nenhuma magrela. Eu sonho com você e acordo pensando em lhe dizer que eu estava mais gorda, e já vi de imediato você me dizendo que eu sou linda de qualquer jeito.
Eu tento disfarçar que você me deixa muito confiante, mas aí eu vejo as outras ao meu redor e não dá para evitar. Tudo bem, admito que de vez em quando não é bem assim, mas não posso negar que você faz bem o seu trabalho de fazer com que eu me sinta bem.
Algumas vezes eu tentei apontar defeitos na gente, tentei esmagar tudo com alguma sujeira... Mas você agora me dá preguiça da velha tática de fuga. Você me faz dormir por um CD inteiro numa rede de pensamentos e quando eu acordo, o mundo inteiro é verde. Verde, porque eu não gosto de azul e verde me deixa mais tranqüila.
Engraçado como eu não sei dizer o que eu quero fazer, porque nada me parece mais divertido do que simplesmente estar fazendo (ainda que a gente não esteja fazendo nada). Eu, que sempre quis desfilar a minha alegria para provar ao mundo que eu era feliz, hoje só quero me esconder de tudo ao seu lado.
Eu limpei minhas mensagens e substituí por novas suas, eu deletei meus e-mails e deixei só os seus, eu estrangulei minhas esperas e encontrei meu homem. Eu risquei de vez todas as outras opções do meu caderninho, eu espremi a água escura do meu coração e deixei que ele se inchasse de ar limpo, como uma esponja. Uma espoja rosa, porque você me transformou em uma menina cor-de-rosa.
Você me transformou no eufemismo de mim mesma, fez eu me sentir a flor daquele poema, suavizou meu soco, amoleceu minha marcha e transformou minha dureza em dança. Você quebrou as minhas pernas, fez-me voltar a ser doce e não temer o que você tinha para me dar. Você me fez procurar novamente por rosas em jardins e por sutiãs com moranguinhos. Você tirou as pedras da minha mão e me deu borboletas, que voam livremente pela minha barriga enquanto eu escrevo.
Você diz que me quer com todas as minhas vírgulas, eu lhe quero como meu ponto final.
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05/10/2007
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saudade.
"and all we want... is more."(meredith grey - grey's anatomy)Marcadores: carência, feeling blue, love
12/07/2007
estou indo, indo logo
deitar do teu lado
que é p'ra a gente respirar
se acalmar, se amar
juntos
estou indo, indo logo
se eu pudesse, iria pra ficar
enquanto não posso
é p'ra memorizar
te ter, te amar
tão juntos
estou indo, indo logo
te apresentar constelações
do meu universo translúcido
ah, como podemos estar
e estamos
eternamente tão juntos
Marcadores: carência, love
29/06/2007
you're like a song
that I like to keep singing
like the scent of a flower
that I like to keep smelling
like a star, up high
that I like to keep staring at
and the way you look at me
the way you touch me
the shine of your eyes
your floating kisses
like... things I can't describe
you're like sunshine on a clear sky
after days and days of rain
like a fire place
after a freezing night
like a smile
among tears
it's like I was drowning
and you saved me
you're like coming up for fresh air
I'll hold on to your heart
and you can hold on to mine
so if someday you get to drown
I'll be the one to save you
I'll be the one to lift you up
you can count on that
'cause this love
makes me want to be better
makes me want to be the best
to you
and consequently
to us
I guess it's all that matters.
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01/08/2006
- E o que eu faço com tudo isso que sinto por você?
- Guarda. - Ela respondeu; com a simplicidade de quem sabe que estas coisas, quando simplesmente existem, não precisam de um alojamento, um lugar, um espaço definido.
Ele pareceu confuso.
- Guarda. - Ela lhe disse nova e calmamente, indicando um caminho para o coração. Havia certa esperança de que ele levasse seu conselho ao pé da letra. Guardar e esperar um pouco, esperar pelo tempo, esperar pelo que faltava para tornar tudo o que estava guardado em algo palpável.
Guarda, assim, como quem não quer nada. Assim, como quem vai usar daqui a um minuto, quando sair do banho, quando sair à rua, quando for dormir, quando amanhecer.
Guarda solto em cima da cômoda, à vista dos olhos, no meio de outras bugigangas, finge que ele nem toma tanto espaço. Ou guarda na última gaveta, embrulhado num papel de seda, no fundo, bem longe dos olhos; de forma que mesmo que você não abra a gaveta, saberá que está lá. E quando, ou se, você for abrir, o perfume que virá lá do fundo vai invadir seu quarto, sua casa, sua vida, devolvendo ao coração aquele sentimento de pertencer.
Guarda, ela lhe disse, tentando lhe dizer tudo isso. Pronunciou apenas "guarda" e deduziu que ele compreenderia dali em diante.
Então, ele lhe perguntou:
- Onde?
Dedução errada. Será que ele não entendeu? Era uma única palavra, é verdade... Porém, significava mais do que seis letras, três vogais, três consoantes, g-u-a-r-d-a. Significa entrega, significa crença e fé em um sentimento. É amor, Deus do céu. Amor puro, límpido, incondicional. Amor que deixa partir e que espera voltar.
- Onde...?
Mas ela não queria lhe pedir nada mais. Não queria explicar. Não queria sofrer. Não queria nem lhe dizer que o que ela sentia por ele estava ali, guardado. Intenso e oprimido pelas circunstâncias.
- Tudo bem. Se não tiver espaço, joga fora e esquece.
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marina b.,
18, pólis do sr. floriano peixe oco, da capitania hereditária de santa catarina, uma mistura de perfeccionismo, teimosia, stress, muita curiosidade, amor transbordante, algumas boas amizades, maternidade perfeita, valores, com uma pitada de angústia e inveja, porque todo mundo tem.
e uma
ESFP.
love:
aquelas pessoas especiais, as músicas certas nas horas certas, fotografia, cores, composição, palavras/notas musicais blended in perfection, ponta fina, janelas grandes para sentar e olhar, o mar, uma coisinha pequena e doce ao final de uma refeição, momentos de ócio criativo, filmes embaixo das cobertas ou no cinema, felinos e vaquinhas, sorrisos inesperados, demonstrações de afeto, transbordar mel, reconhecimento.
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