14/09/2008


Tudo o que sou.

Eu ando pelo mundo sem ver, só sinto. Sinto cheiros sem cor e texturas com meias formas. Posso tocar o que é pequeno, mas nunca verei a imensidão. Ah! Não fossem as palavras... o que seria de mim?
Era eu ainda apenas um moleque, meu tato se desenvolvendo, poucas coisas eu conhecia; e aí, sentou aquela moça ao meu lado. Guiou meus dedos até uma folha de papel e sente uns buraquinhos estranhamente alinhados. A voz doce doce feminina disse: "Sinta as palavras".
Cresci, fisicamente e dentro dos meus estudos, e fui conhecendo tudo. Li inúmeros livros e até escrevi alguns, que jamais publicarei. Tenho ciúmes de algumas palavras, quero que sejam só minhas!
Acabei virando um crente da palavra. Se não posso nem ver seus olhos, como posso entender como você se sente? Só resta que me digas, e acreditarei. Se não vejo a praia, como vou compreender o horizonte? Descreva-me, e explique-me, e imaginarei, e acreditarei.
Eu exploro as palavras como quem explora uma caverna. Quero conhecer cada canto, cada pedaço, quero saber de onde veio, por que existe, como se faz e como se usa. Embutido na amplitude de meu vocabulário e de meu conhecimento, vêm chaves que abrem sempre mais portas para mim e para minha liberdade.
Acredito que aceitei as minhas condições e passei a amar viver graças às palavras. Elas me dão tudo o que amo e são minha companheiras em todos os lugares! Estão nas músicas que canto alegremente aos sábados pela manhã, estão nas declarações de amor mais lindas que fiz, estão em minhas viagens e lindas cidades que conheci, estão na receita da minha torta de amora favorita, estão em mim. Palavras: é tudo o que sou; e sou feliz assim.

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marina, 20:58
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03/07/2008


My so-called "life"

Cinco horas de aula de manhã, quatro horas de aula à tarde, no mínimo três horas resolvendo exercícios. Uma hora (em média) andando de ônibus e umas oito horas para dormir. As três horas que sobram são para comer e para um suposto "lazer" - algo que eu já nem sei mais exatamente o que é. Duas horas de francês aos sábados de manhã e o resto do final de semana provavelmente gasto para "colocar matéria em dia". Matéria em dia, na verdade, é como um pote de ouro do outro lado do arco-íris: você corre, corre, corre, mas nunca alcança. Cada passo que você dá, ele se afasta de você. Fora as revisões programadas, provas, simulados e o ca*****.
"Vestibulando é tudo maluco"? Estranho seria se não fôssemos.
Sempre tive uma mania de listar as coisas. Especialmente os compromissos e coisas que devo fazer no dia. Hoje, enquanto eu arrumava minha necessaire, deparei-me com uma lista de medicamentos: Torsilax, Tandrilax, Miosan, Nimalgex, Amidalin, Enxak, Neosaldina, Paracetamol, Sorine, Rinisone, Rinofluimiucil, entre outros. Lógico que eu nunca fui exemplo de saúde para ninguém, só que depois dessa... Estou me sentindo um "perrengue".
"É tudo culpa do cansaço, você se desgasta demais", é o que diz a senhora minha mãe. E as minhas férias? Só não vou ter aulas de manhã, mas as dos cursinhos à tarde continuam. Mais um simulado do cursinho de química e simulado tipo ENEM. Aí eu digo: Férias? Que férias? Descansar? Quem foi que lhe falou isso?
Como a vida não é só reclamação, vou ter menino comigo durante as férias. Então, por mais estressante que sejam os dias, pelo menos não durmo sozinha. Mas e o resto dos dias? Pois é.

Estranho seria se não fôssemos.

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marina, 20:31
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26/05/2008


go go go go this is out of control

eu estou enlouquecendo. eu juro que estou. está saindo do meu controle. eu juro que está. e eu sei que todo mundo vai comentar "eu sei como é, eu já passei por isso, as reclamações são sempre as mesmas, você vai sobreviver". não vou, não quero. quero ir ali dar uma morridinha e já volto, pode ser?
minha cabeça vai explodir! eu sei que vai! eu sinto os neurônios inchando e fazendo pressão já.
não quero mais brincar. cansei. eu quero ser a dona da bola, desmontar o time, dizer que não gosto das regras e voltar pro aconchego da minha casinha em paz. mas eu não posso. eu não sou a dona da bola. eu sou obrigada a continuar jogando e jogando e jogando e jogando até desmaiar de cansaço.
o que, pensando bem, não falta muito.
eu quero darumfastforwardlogonessacoisatoda! dar um fim nessa desgraça. que saco. que inferno!
não sei o que eu ainda estou fazendo aqui. não sei. um ano desperdiçado.
e como eles dizem: "tempo é dinheiro". aqui, realmente é. dinheiro desperdiçado


este texto nunca existiu.

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marina, 22:52
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sumário

o que eu queria dizer, e não disse
remember/forget/remember/forget/remember/forget
Caio F.alando por mim
Dois mil... Inove.
Sorry to myself
Dessssssssprezível
Liberdade
This mess we're in
O mais genial dos ensaios
Eu admito:

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marina b.,
18, pólis do sr. floriano peixe oco, da capitania hereditária de santa catarina, uma mistura de perfeccionismo, teimosia, stress, muita curiosidade, amor transbordante, algumas boas amizades, maternidade perfeita, valores, com uma pitada de angústia e inveja, porque todo mundo tem.
e uma ESFP.

love:
aquelas pessoas especiais, as músicas certas nas horas certas, fotografia, cores, composição, palavras/notas musicais blended in perfection, ponta fina, janelas grandes para sentar e olhar, o mar, uma coisinha pequena e doce ao final de uma refeição, momentos de ócio criativo, filmes embaixo das cobertas ou no cinema, felinos e vaquinhas, sorrisos inesperados, demonstrações de afeto, transbordar mel, reconhecimento.

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